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São Bernardo de Claraval — no estilo de Philippe de Champaigne, século XVII
São Bernardo de Claraval · 1090–1153
No estilo de Philippe de Champaigne, séc. XVII · Domínio público
Nascimento
4 de dezembro de 1090
Castelo de Fontaine-lès-Dijon, Borgonha
Falecimento
20 de agosto de 1153
Claraval, França
Ordem
Cistercienses (O.Cist.)
Título eclesiástico
Doutor Melífluo (Doctor Mellifluus)
Abade de
Claraval (1115–1153)
Canonizado
1174 por Alexandre III
Festa litúrgica
20 de agosto
Padroeiro de
Cistercienses · Templários
Apicultores · Borgonha

São Bernardo de Claraval

Doutor Melífluo da Igreja Católica

Bernardo nasceu em 4 de dezembro de 1090 no castelo de Fontaine-lès-Dijon, na Borgonha, filho de família nobre. Educado com rigor clássico em Châtillon-sur-Seine, revelou desde jovem uma sensibilidade literária excepcional e uma devoção filial intensa à Virgem Maria. Em 1112, aos vinte e dois anos, tomou uma decisão que marcaria para sempre a história do monaquismo: ingressou na abadia de Cîteaux, a recém-fundada e austera reforma beneditina — e levou consigo trinta companheiros, entre eles vários irmãos e seu próprio pai.

Apenas três anos depois, em 1115, foi enviado como superior para fundar um novo mosteiro num vale então inóspito e pantanoso da Champagne, que viria a se chamar Clara Vallis — Claraval. Sob sua direção, a abadia tornou-se em pouco tempo um dos centros espirituais mais irradiantes da Europa medieval, e Bernardo, o grande propagador da Ordem Cisterciense: fundou pessoalmente mais de sessenta mosteiros e viu mais de setecentos serem estabelecidos ainda em vida, espalhados de Portugal à Palestina.

Mas Bernardo nunca foi apenas um homem de clausura. Dotado de uma personalidade magnética e de uma eloquência ímpar — que lhe valeu o título de Doctor Mellifluus, o Doutor de palavras melosas como mel —, tornou-se o árbitro espiritual da cristandade do seu tempo. Pregou a Segunda Cruzada por toda a Europa, mediou disputas entre papas e antipapas, combateu as doutrinas de Pedro Abelardo no Concílio de Sens (1140) e influenciou a eleição de oito papas, um dos quais, Eugênio III, foi seu próprio discípulo.

Sua obra escrita é vasta e de beleza singular: os Sermões sobre o Cântico dos Cânticos, nunca concluídos, são considerados o cume da mística nupcial latina. O tratado Sobre Amar a Deus — disponível neste acervo — sintetiza com clareza e fervor sua teologia do amor como caminho ascendente até a total doação de si a Deus. Faleceu em 20 de agosto de 1153, exausto de trabalhos, na abadia que fundara. Foi canonizado vinte e um anos depois e declarado Doutor da Igreja em 1830 por Pio VIII.

"A medida do amor a Deus é amá-Lo sem medida." — São Bernardo de Claraval, Sobre Amar a Deus
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